Tabela de preços de social media em 2026: como montar a sua (sem copiar a da internet)
Faixas de mercado só como referência. O método certo começa nas suas horas e no seu custo interno
Todo ano aparece uma "tabela atualizada de social media" circulando em PDF e carrossel. Ela serve para uma coisa: referência grosseira de mercado. Serve muito mal para outra: virar o seu preço.
Em 2026, o mercado continua completamente espalhado. Tem pacote de R$ 1.200,00 com milagre prometido e retainer de R$ 8.000,00 com processo de verdade. Se você copia o número sem copiar a estrutura de custo que está por trás dele, herda o prejuízo alheio. A tabela dos outros não sabe quantas horas você gasta, quanto custa seu freela, nem se você tem reserva para três meses ou para três dias.
Antes de olhar a tabela do concorrente, feche três números que são só seus: os custos fixos mensais da sua operação, o pró-labore que você precisa tirar e as horas realmente faturáveis no mês. Não adianta supor 160 horas se metade disso some em reunião, ajuste de briefing e mensagem de WhatsApp que ninguém cobrou.
Um exemplo para aterrissar: custos fixos mais pró-labore em R$ 10.000,00, com 80 horas faturáveis no mês. Seu custo mínimo por hora é R$ 125,00. Com margem de 20%, a referência comercial vai para R$ 150,00 por hora. Qualquer pacote que, nas horas reais, fique abaixo desse valor, está colocando você para financiar o cliente. E cliente financiado não é cliente, é filantropia com portfólio.
Agora traduza seu escopo em horas com honestidade cruel. Um pacote mensal típico de gestão inclui planejamento e pauta (3h), criação de 12 posts (de 10h a 16h dependendo da complexidade), stories ou shorts diários leves (4h a 8h), ajustes e feedback (3h), relatório e reunião (2h) e, se houver gestão de mensagens, mais umas 4h a 10h. Um "pacote simples" facilmente come de 20h a 30h do seu mês. A R$ 150,00 por hora, isso dá entre R$ 3.000,00 e R$ 4.500,00. Se a tabela da internet diz R$ 1.800,00 para esse mesmo escopo, a internet está te convidando a trabalhar de graça, e educadamente você deve recusar o convite.
Use as faixas de mercado como termômetro, não como cardápio. Um jeito saudável de se posicionar em 2026 é enxergar três camadas: entrada com escopo curto e pouca estratégia, intermediário com conteúdo, rotina e relatório que o cliente entende, e premium com estratégia, oferta, criativo de performance e acesso mais próximo. O seu número dentro de cada faixa depende de nicho, portfólio, risco e, principalmente, do quanto cada cliente desorganiza o seu processo.
Monte sua tabela em três pacotes com escopo bem definido. O essencial entrega feed com volume fechado, stories limitados, uma rodada de revisão por peça e uma reunião mensal, sem gestão profunda de community. O completo adiciona shorts e Reels no ritmo combinado, pauta estratégica mensal, relatório simples com aprendizado e um SLA de resposta definido. O premium vai além com campanhas de oferta, criativos orientados a resposta, mais acesso (sem virar plantão eterno), experimentos com meta clara e revisões com limite explícito. Sem limite de revisão, qualquer tabela explode, não importa o preço que você colocar na proposta.
Falando em proposta, inclua nela o que está dentro e fora, o prazo de aprovação do cliente, a quantidade de revisões, as ferramentas e custos extras (banco de imagem, anúncio, freela) e a cláusula de reajuste a cada 6 ou 12 meses, ou quando o escopo crescer. Cliente que atrasa briefing em duas semanas e quer o mesmo volume "em cima da hora" não tem problema de preço, tem problema de processo. Sua tabela precisa proteger os dois lados.
Como atualizar a tabela sem perder a base
Novos clientes entram na tabela nova, sem exceção. A base antiga sobe na renovação, sempre com a opção de reduzir escopo para caber no orçamento. E projetos avulsos, como covers, motion ou campanha, têm preço próprio: nunca entre no jogo de "jogar por dentro do fee" para agradar, porque isso distorce o custo real e corrói a margem em silêncio.
Depois de 60 a 90 dias, compare as horas reais com o que foi estimado e olhe a margem por cliente. Se o pacote de R$ 3.500,00 está comendo 40 horas, sua tabela está mentindo para você mesmo. Ajuste o escopo ou o preço, mas não finja que não viu.
Tabela boa não é a mais alta do carrossel. É a que sobra dinheiro depois de imposto, ferramenta, pró-labore e um pouco de paz. Quando você acompanha receitas, despesas e o ritmo do caixa num lugar só, fica claro se a tabela está sustentando a operação ou só enchendo a agenda. É a diferença entre preço bonito na proposta e preço que realmente paga o mês.
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